Engraçado, depois de tanto tempo (talvez tempo seja uma palavra bastante usada neste texto), as coisas parecem ainda não fazer sentido ou nunca fizeram. Ontem à noite falando com uma amiga, falei sobre uma grande vilã que vem causando ou não e/ou ajudando ou não a reorganizar meus sentimentos, a minha memória. Sabe quando tudo parece que aconteceu ontem, mesmo que este ontem tenha acontecido há dias, semanas, meses ou até anos? Pois bem, para mim é assim. Um turbilhão de boas e más lembranças surge em meio ao nada, nítidas, claras, reais e espantosamente verdadeiras... Lembro-me de cada detalhe, de cada palavra, de cada gesto, cada nada, cada silêncio, cada falar... Lembro-me de tudo, absolutamente de tudo e de todos. Pergunto-me: Por quê? Faço perguntas nas quais já sei as respostas, mas não deveria fazê-las. Acredito que nos questionar ajuda no processo de nossa própria evolução, tanto no âmbito psicológico, que interferirá principalmente no emocional, quanto no pessoal que abrange outros grandes e indispensáveis campos do nosso “eu”. Deixar de se culpar ou procurar desculpas e soluções para o acontecido, torna o tempo mais leve e o crescimento mais ávido, certo e real. Já diz o ditado popular, “não adianta chorar pelo leite derramado”, e nada é mais certo que este ditado que sempre que acontece, os “por quês” veem a tona. As hipóteses são as nossas aliadas, mas desde quando trabalhar com hipótese ajuda uma pessoa que passa/passou por tais tipos de problemas? Por experiência própria, isso atrapalha e muito. Nos desgastamos, nos esgotamos, nos desfiamos, nos arrasamos, mas no final olhamos para todo o árduo rastro que deixamos e aprendemos a viver, ou morremos de vez, pois isso depende da capacidade e do querer de cada um em transformar as suas frustrações em planos destrutivos ou construtivos. Ao se frustrar, você usa essa frustração para se destruir de vez ou para construir um novo ser mais forte? Pense direitinho. Estas coisas acontecem muito quando nos deparamos com um sonho não evoluído e realizado. Nosso tempo é a cada dia que passa mais sazonal e corriqueiro, nossos pensamentos são jogados em turbilhões por segundos, nos impossibilitando de reagir, de pensar numa nova saída e nos empurrando a desistência precoce. Ando querendo ultimamente aprender mais com os erros dos outros do que com os meus próprios erros. Tenho desejado acertar mais, crescer mais, acreditar mais em mim. Precisamos transformar nossos desejos em sonhos, pois desejos são vulneráveis ao caos do tempo, não resistem a grandes tempestades, mas os sonhos sim. Os sonhos resistem a tudo e a todos... Só precisamos ser coerentes com eles, pois quanto mais estes forem incompatíveis entre eles, dificultará mais e mais a realização dos mesmos. Bem, tempo, tempo, tempo, tempo... Deixa o tempo em si responder as perguntas que o próprio tempo se encarregou de fazer, mas uma coisa é certa: o relógio (tempo) em si não funciona sozinho, então não podemos ficar esperando sentado, sabemos que o tempo é outro, que as coisas mudaram, mas precisamos ser outros e mudarmos também. Precisamos acreditar sempre que um dia, sim um dia, quando estivermos prontos, quando deixarmos de pedir e procurar as respostas dos “por quês” da vida, tudo, absolutamente tudo fará sentido e se reorganizará.

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