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sábado, 24 de novembro de 2012

tempO papeL tesourA



Tudo evapora, se dissipa, se dissolve no ar... O que é concreto agora, depois não passará de algo abstrato. Assim são as lembranças, assim é a vida, vida que comparo a uma folha em branco que dado caneta e lápis vamos criando traços, linhas, letras e formas... Dando cor, dando vida. E depois? Amassamos e a jogamos fora ou a guardamos numa caixinha para que um dia possamos olhar e lembrar tudo o que vivemos? É tão estranho. Hoje sento em frente a esta caixinha de lembranças e começo a vasculhar com lágrimas e sorrisos, medo e coragem, sensações dúbias e bipolares que no final dará numa só palavra, fim. Textos, desenhos, fotos, cartões... E uma tesoura. Tenho vivido num salão de festas onde a tesoura do tempo transformou as folhas da vida em confetes. Sim, confetes, papeis picados jogados ao alto em tom de festa, alegria, vida... Mas a alegria é momentânea e logo os confetes caem no chão na mesma velocidade que foram atirados ao alto, caem com a mesma intensidade ou as vezes até maior da energia que os fizeram voar... E ali, em pequenos recortes você enxerga tudo que passou... Você consegue decifrar cada momento, cada palavra, cada toque, cada olhar... Momentos, palavras, toques, olhares que agora batem no chão e lá ficam. O Salão repleto de gente agora fica ainda mais cheio de lembranças, mas ninguém repara a não ser você. Que tal olhar para alto e admirar a beleza do novo – lá vêm mais confetes – o que será que eles trazem ou que revelarão? Vidas lançadas ao alto e caindo no chão a toda hora... A festa acaba, todos vão embora e lá ficam no chão, sujos, esquecidos, milhares de lembranças e de vidas que não passa de um amontoado de papeis picados. É, o salão está vazio e sujo. No começo tudo é festa, no fim nada mais. Mas precisamos limpar o salão, precisamos recolhes todas aquelas lembranças esquecidas no chão... Precisamos aprontar e decorar, pois adiante vem vida... Precisamos de novas folhas e canetas, novas formas e cores, novos sabores... Precisamos saber que na vida tudo passa mesmo achando que tudo é para sempre. Precisamos querer nos renovar mesmo aceitando que tudo está bom... Precisamos dar adeus mesmo querendo ficar. Precisamos jogar os confetes da vida mesmo não tendo o que festejar, porque estes, estes sim nos levarão acreditar que cedo ou tarde aquele tudo que se evapora, se dissipa, se dissolve no ar... Aquele abstrato, pode se concretizar.