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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Memórias



Eu crescia, não porque era forte ou porque havia decidido, era simplesmente porque era tempo de crescer e a vida impunha isso. Eu não tinha poder de escolha. Não há mais nada. Nada a temer, a buscar, a querer. Não há mais nada porque ainda me falta tudo e diante da magnitude das coisas eu, o menino, o homem, me perdí. Saí até o fim da rua e não encontrei o caminho de volta. Agora flutuava nas entrelinhas das escolhas que não fiz. Uma vez ao procurar o caminho de casa me surpreendi ao encontrar pedaços meus pelo caminho, e eram sonhos despedaçados. Então não soube se crescia ou se na realidade estava diminuindo pedacinho por pedacinho e me tornava apenas uma sombra megalomaníaca do que fui. E fui. Desisti. Parei. Minha vida é tudo ou nada agora, e isso é a mesma coisa. Eu sou tão fraco, tão fraco que não conseguirei contar o resto da história. Tenho sono, e meu sono é uma desculpa para o tédio do mundo. Mas em vez de adormecer me peguei despertando sem ao menos ter dormido. O fraco rapaz é forte e eu sou ele. E me espelhando no reflexo das minhas lágrimas percebi que sempre se pode encontrar o caminho de casa, mas se preferir é só seguir adiante.

O seu futuro é decidido por a quilo que você deseja mudar. 

Então é isso, hoje é o dia, é o tempo. Me lançarei ao ar sem medo, vou desapegar de tudo que me prende aqui e agora. Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É aceitar doer inteiro até florir de novo.

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