Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja. (CL)
***
Mas existem coisas que podemos julgar controvérsias... Que podem ser sentidas por um certo tempo, acabar por um certo momento, mas irreversivelmente se tornam para sempre.
Aqui ela esteve durante algum tempo...
e a 34 anos nos deixou.
Uma homenagem a uma mulher forte e de personalidade impar.
Clarice Lispector

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